quinta-feira, 16 de abril de 2009

Oportunidade de redução definitiva da carga tributária

Os resultados excepcionais da venda de automóveis no primeiro trimestre de 2009, em meio a uma das mais graves crises econômicas de toda a história do capitalismo, evidencia o quanto é importante reduzir a carga tributária no Brasil. Os números são irrefutáveis, atestando o acerto da redução do IPI e sua prorrogação por mais três meses, bem como a pertinência da alíquota zero desse imposto para os principais itens de material de construção e a suspensão da Cofins para motos.
Confirma-se na prática — e em meio à turbulência — a tese há tempos defendida pelos setores produtivos, de que o excesso de impostos é um dos principais obstáculos ao crescimento econômico brasileiro. Assim, é de se esperar que o governo torne mais abrangente o processo de diferimento e/ou redução de alíquotas, favorecendo o maior número possível de segmentos, de modo que o País possa acelerar a sua recuperação e sacramentar a vitória sobre a crise nascida no primeiro mundo.
Mais do que isso, seria importante — ante a inexorável prova do mercado automotivo de que a menor tributação resulta em aumento das vendas — que o governo revisse, de maneira definitiva, a estrutura tributária nacional, desonerando a produção, independentemente de crises ou questões conjunturais. A tão propalada e jamais realizada reforma tributária poderia ser precedida de ação prática, objetiva e eficaz de redução generalizada de impostos. Já seria um imenso avanço, enquanto o Congresso Nacional continua discutindo a nomenclatura de impostos, a divisão do bolo e o complexo emaranhado que consubstancia esse burocrático e deficiente sistema de arrecadação.
Tal medida é totalmente viável, conforme se pode depreender por meio de uma simples operação de subtração: o total de tributos arrecadados pelo governo em 2008 passou de R$ 1 trilhão, com crescimento de 14,43% em relação a 2007 (dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário — IBPT); a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2008 em 5,9% (número do IBGE). Ou seja, a carga tributária cresceu 8,53 pontos percentuais acima da inflação (14,43% menos 5,9%).
Desse modo, atualizando-se o orçamento do setor público para 2009 apenas pela inflação (isto, sem considerar a imensa quantidade de “gordura” que o Estado ainda poderia eliminar) já seria viável desoneração de impostos da ordem de 8,53%. Trata-se de índice significativo para estimular a economia, promover o crescimento sustentado e melhorar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado externo. Imaginem uma diminuição de impostos dessa magnitude em setores, como a indústria de transformação do plástico, presentes em todas as cadeias de suprimentos. O impacto em termos de preço, venda e exportações seria expressivo.
Não há dúvida de que todos ganhariam com a menor carga tributária, incluindo o governo, pois o bom senso indica que poderiam até mesmo ser reduzidos o calote e a inadimplência fiscal. O IBPT demonstra que a sonegação das empresas brasileiras vem diminuindo, mas ainda corresponde a 25% do seu faturamento. Em 2000, o índice era de 32% e em 2004, de 39%. Faturamento não declarado é de R$ 1,32 trilhão e os tributos sonegados somam R$ 200 bilhões por ano. Somados aos impostos sonegados pelas pessoas físicas, o volume atinge 9% do PIB. Assim, reduzindo-se as alíquotas dos impostos, o que proporcionalmente tornaria mais estimulante estar quites com o fisco, seria bem provável um aumento nominal da arrecadação.
Diante de tantas e tão lógicas evidências, parece estranho que o governo continue insistindo em manter no País uma das mais elevadas cargas tributárias do mundo. As crises, a despeito de todos os aspectos negativos, sempre resultam em oportunidades. Pois bem, na presente conjuntura adversa, talvez a grande oportunidade do Brasil seja a sensibilização das autoridades quanto ao despropósito de um sistema de impostos que conspira contra a produção e o consumo.
(Merheg Cachum é presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).)

Tucanos elogiam a política econômica

16 de Abril de 2009 - Personalidades do governo tucano como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e o ex-secretário do Tesouro Joaquim Lamy surpreenderam, ontem, os participantes do Fórum Econômico Mundial da América Latina, ao elogiarem o desempenho da economia brasileira, adotando um discurso alinhado com o dos petistas.
Os três expuseram a condição privilegiada do Brasil diante da crise financeira, numa postura mais otimista que muitos agentes do mercado. "O Brasil tem uma situação melhor e a crise não foi aqui. Quando acabar o incêndio e ver o que sobrou, vai sobrar relativamente bem, comparado a outros países", afirmou Fernando Henrique.
No mesmo tom, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva eximiu o Brasil das causas da crise econômica. "Não criamos um problema, mas somos parte fundamental da solução do problema", disse o presidente.
Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, lembrou que "não vemos aqui nenhum dos desequilíbrios que quebraram o mundo".
Ele enfatizou: "Tendo para o otimismo no sentido de que vamos sair da recessão no segundo semestre, mas não sei qual será a velocidade do crescimento".
O ex-secretário do Tesouro no governo tucano, Joaquim Levy, também expôs que o País está numa situação confortável, com a inclusão de "mais pessoas na economia de mercado". A "saúde financeira" brasileira também foi elogiada pelo estrategista para mercados globais da Accenture, Mark Spelman. . "O Brasil está em ótima saúde financeira e mais bem posicionado do que grande parte dos países desenvolvidos", afirmou.
Fonte: (Gazeta Mercantil/1ª Página - Pág. 1)(Sabrina Lorenzi, Rosana Hessel e Ricardo Rego Monteiro)

domingo, 5 de abril de 2009

ONU discute sanções à Coreia do Norte por foguete

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) está reunido neste momento, atendendo a uma convocação emergencial do Japão, para discutir o lançamento de um foguete pela Coreia do Norte, nesta madrugada. Os Estados Unidos e seus aliados disseram que vão trabalhar por uma condenação unânime e que podem pedir a ampliação das sanções econômicas ao país comunista.

O presidente americano, Barack Obama, disse que o lançamento do foguete ameaçou a paz e a estabilidade das nações "próximas e distantes" da Coreia. O foguete foi lançado de uma base no nordeste da Coreia do Norte. O governo local sustenta que o dispositivo carregava um satélite de comunicações, que teria sido colocado em órbita com sucesso.

Fontes militares dos EUA e da Coreia do Sul, no entanto, não identificaram nenhum novo satélite orbitando a Terra. O artefato teria caído do Oceano Pacífico, em espaço japonês. A embaixadora dos Estados Unidos, Susan Rice, classificou o lançamento como uma "clara violação" das sanções impostas, em 2006, ao programa nuclear e aos testes de mísseis de longo alcance norte-coreanos. As informações são da Associated Press.

Fonte: Agencia Estado - Gerson Freitas Jr.

sábado, 4 de abril de 2009

PETROBRAS: Nova usina de biodiesel aumentará a produção

SÃO PAULO, 3 de abril de 2009 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugura na próxima segunda-feira (6) a terceira usina de biodiesel da Petrobras, no município mineiro de Montes Claros. As primeiras unidades foram inauguradas em Candeias (BA) e Quixadá (CE). A cidade foi escolhida para sediar a usina devido à sua "excelente logística rodoviária e ferroviária", disse hoje o presidente da Petrobras Biocombustível, Alan Kardec, durante coletiva na cidade mineira.
Kardec informou que a capacidade de processamento da nova usina, batizada com o nome do educador Darcy Ribeiro, deverá ser ampliada dos atuais 57 milhões de litros de biodiesel anuais para 80 milhões de litros/ano até 2013.
Segundo ele, o aumento da capacidade instalada atingirá também a usina de Quixadá e será efetuado de forma gradual, a partir de ajustes que serão realizados no processamento. "Com esses ajustes, vamos aumentar a receita e reduzir o custo operacional", disse.
Também a usina de Candeias passará por um processo de ampliação de capacidade, que deverá atingir 114 milhões de litros/ano em 2013. A construção da nova usina envolveu investimentos de R$ 95 milhões. Sua capacidade de produção corresponde a 33% da necessidade de consumo de B3 de Minas Gerais.
O B3 é a adição de 3% de biodiesel ao diesel. O funcionamento da unidade foi iniciado em janeiro deste ano. Kardec disse que já foram produzidos até agora três milhões de litros de biodiesel. No leilão realizado em março passado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), a usina vendeu a sua produção para a entrega prevista nos próximos três meses.
A usina possui um grande diferencial, que é o elevado sistema de automação, afirmou Alan Kardec. "Ela possui 3.500 pontos de controle, que nos permitem acompanhar em tempo real todas as fases do processamento, até a saída do caminhão carregando biodiesel".
Para o presidente da Petrobras Biocombustível, "o Brasil está à frente do mundo na questão do biodiesel, que ajuda na redução do aquecimento global e, conseqüentemente, na preservação da vida. É uma questão de vida".
A estatal quer firmar contratos de cinco anos de duração visando estimular o desenvolvimento sustentável dos pequenos agricultores e gerar emprego e renda no campo. "No caso especial de Montes Claros, há uma meta nossa de atingir 20 mil agricultores familiares. Já temos contratados 8.200 agricultores familiares", afirmou.
Os pequenos produtores rurais vão garantir o suprimento de matéria-prima para a Usina de Biodiesel Darcy Ribeiro, destacou Kardec. Foram distribuídas 100 toneladas de sementes de mamona e girassol aos agricultores.
A empresa está em negociações com o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) com o objetivo de agilizar o acesso dos agricultores rurais ao crédito de custo agrícola. O Plano Estratégico da Petrobrás para o período 2009/2013 destina à Petrobras Biocombustível US$ 2,4 bilhões.
As informações são da Agência Brasil.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Cúpula do G20 está reunida para enfrentar desafios à integração econômica global

LONDRES E PARIS, 2 de abril de 2009 - Por quase 30 anos, os presidentes norte-americanos compareceram às reuniões de cúpula com discursos econômicos praticamente idênticos: a solução para a grande maioria dos problemas estaria em uma maior integração econômica, defesa do livre comércio e do uso de medidas leves para domar o capitalismo.
Quando o presidente Obama chegou em Londres na noite de anteontem para participar do encontro do G20 - grupo das principais economias desenvolvidas e emergentes do globo - , quase todos estes princípios vieram à tona.
A integração econômica está ameaçada. Alguns países têm procurado se manter isolados dos problemas financeiros globais, notando que aqueles menos imbricados na economia mundial têm sofrido menos. A França ameaçou abandonar o encontro caso os outros países não concordem em aprovar a criação de uma forte agência reguladora para o setor financeiro internacional.
Embora Obama tenha mostrado-se otimista ao acreditar que o resto do mundo seguiria seus passos aprovando grandes pacotes de estímulo, isto não aconteceu de fato. No fim de semana passado, a Casa Branca indicou que não entraria em confronto com outros membros do G20, particularmente a Alemanha, que se preocupa com o déficit do governo.
Tudo isto indica que a liderança econômica dos Estados Unidos será questionada. No entanto, o Obama deverá dominar as discussões aqui. E não há uma alternativa clara à estratégia que sendo adotada por sua administração para incentivar a economia mundial.
Muitas nações da Europa e da Ásia que dependem fortemente do mercado americano são favoráveis ao plano de estímulo de Obama, esperando que a recuperação dos EUA revigorará suas economias e diminuirá a pressão que sofrem para gastar mais.
"Este é o principal paradoxo", defendeu Jeffrey E. Garten, professor na Yale School of Management e ex-autoridade do Departamento de Comércio dos EUA no governo Clinton. "Todos perderam a confiança no sistema americano já que, conforme a crise é revelada, ficou cada vez mais patente que deixamos que o capitalismo seguisse uma direção inconsequente. Entretanto, todos agora esperam que os EUA os salvem."
Na realidade, o maior desafio de Obama será convencer os outros países durante a reunião de cúpula que o governo americano, embora esteja comprometido como a retomada da economia, não idealiza um retorno ao consumismo voraz nos EUA.
"A ironia", prosseguiu ele, "é que a maior parte de nossos parceiros, após nos acusar de irresponsáveis e gananciosos, querem voltar ao período no qual os consumidores americanos sustentavam o mundo, quando nós gastávamos de mais e poupávamos de menos." No entanto, nada disso foi dito explicitamente. Ninguém deseja assustar os mercados sugerindo uma atmosfera desarmônica, pelo menos durante as 36 horas do encontro do G20.
Dentro da União Europeia (UE), as nações mais ricas da Europa Ocidental não querem ter gastos altos para salvar financeiramente seus vizinhos mais pobres do leste - uma tarefa que querem deixar para o Fundo Monetário Internacional (FMI). O Secretário do Tesouro americano, Timothy F. Geithner, obrigou os Estados Unidos a aumentar a contribuição ao FMI em cerca de US$ 100 bilhões, ou um quinto dos US$ 500 bilhões necessários. Mas obter essa quantia por meio do Congresso, em uma época em que Obama está tentando obter mais ajuda para países como o Afeganistão e o Paquistão, será um desafio enorme.
Obama prometeu uma nova forma de compromisso. Seus assistentes têm debatido como mesclar expressões de humildade com o exercício de influência. Será uma dança delicada, dificultada pelo fato de que o amplo objetivo de refazer a arquitetura econômica mundial foi substituído por cada nação que tenta evitar o equivalente da execução hipotecária doméstica americana.
"Em qualquer reunião internacional, outros líderes vão querer ouvir que entendemos o que deu errado nos EUA e no exterior, que importamos com a maneira pela qual isso os afeta e que estamos trabalhando para reparar isso", disse David Lipton, assistente especial de Obama para assuntos econômicos internacionais. "É difícil imaginar uma reunião com um líder estrangeiro que não esteja interessado nestas questões".
França e Brasil, por exemplo, compartilham de uma total identidade de opiniões sobre a necessidade de uma regulação mundial, declarou ontem o presidente francês Nicolas Sarkozy depois de se reunir, em Paris, com o presidente Luiz Inácio Lula de Silva.
Sarkozy disse ainda que os projetos de texto para a declaração final do G20 não agradam nem Alemanha nem França. Ontem, Obama negou que haja divisões entre os membros do G20 e pediu a eles união na cúpula de hoje para encontrar a saída mais rápida para a recessão global.

Fonte: (Gazeta Mercantil)