segunda-feira, 23 de junho de 2008
terça-feira, 10 de junho de 2008
O QUERER, O SABER E O PODER
"A grande maioria dos brasileiros quando discutem os problemas políticos, sociais e econômicos do país, sente naturalmente uma necessidade ou até mesmo uma vontade de fazer algo para mudar o estado caótico da saúde pública, o sucateamento da educação, a escalada da violência, os desmandos no meio político, o desemprego, a péssima distribuição de renda, o crescimento das favelas, o desrespeito ao meio ambiente e por aí vai.
De fato a maioria de nós QUER mudanças, pois não estamos satisfeitos com uma ou mais dessas situações e acreditamos realmente que muito pode e deve ser feito para construirmos uma nação mais justa, igualitária e com mais qualidade de vida para todos.
Ocorre que sequer sabemos por onde começar, na verdade discutir os problemas e apontar causas, ainda é muito mais fácil do que propor soluções verdadeiramente viáveis e aplicáveis.
Quais seriam as prioridades (por onde começar)? Como mudar uma cultura, uma legislação e um sistema político que privilegia a incompetência e a corrupção no setor público? Como reverter um sistema econômico que produz uma das piores distribuições de renda do planeta? Como melhorar a qualidade da educação, da saúde e dos transportes, especialmente para os mais pobres? Como reverter a escalada da violência? São apenas algumas das questões.
De fato, SABER quais são as prioridades e as soluções mais adequadas, ter a capacidade para planejar e implementar as medidas de curto, médio e longo prazos que promovam as mudanças ou os avanços desejados é uma tarefa para poucos.
Mas querer e saber o que deve ser feito ainda não é o suficiente, é preciso reunir as condições políticas para realizar essas mudanças.
É preciso PODER realizá-las.
Querer é uma questão de vontade, saber é uma questão de conhecimento e poder é uma questão de reunir as condições políticas para tal."
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Para sair da armadilha dos juros muito elevados
05 de Junho de 2008 - O Brasil entrou em um novo ciclo de elevação de taxas de juros, sob a aprovação do mercado e da imensa maioria dos economistas, ou pelo menos de grande parte daqueles com espaço na mídia. É a repetição de um velho dilema que aflige a economia brasileira há décadas. Trata-se evidentemente de uma grande contradição, principalmente nos tempos atuais, pelo menos por três motivos, expostos a seguir: 1) O Brasil acaba de ser promovido a grau de investimento por duas das maiores classificadoras internacionais de risco, e evidentemente a posição de detentor da maior taxa de juros reais do mundo não combina em nada com esse novo status. Das duas uma, ou não merecemos a nova classificação, o que se configuraria em um erro clamoroso por parte de duas entidades especializadas, ou a nossa taxa de juros está fora do lugar. 2) Se o argumento é o da elevação da inflação, essa continua dentro da meta, ou pelo menos, dentro da tolerância da meta, uma vez que ninguém projeta uma inflação superior a 6,5% no horizonte, que é o equivalente ao centro da meta, de 4,5% mais a tolerância de 2 pontos percentuais. Nesse caso, cabe questionar então: para que serve o grau de flexibilidade da meta, criado especificamente para a absorção dos choques de custos? 3) Já se parte de um patamar elevadíssimo de juros reais, da ordem de 7% ao ano. Durante a calmaria o argumento era não baixar os juros para se preparar para os períodos mais difíceis. É interessante que diante do cenário de aumento da inflação global observe-se uma certa complacência com a postura conservadora, mesmo que excessiva, sempre em nome da prudência. A questão é que juros elevados, por períodos prolongados, costumam provocar um efeito exatamente contrário ao desejado no que toca à inflação. Se não, vejamos. O que de fato garante no médio e longo prazos que não sobrevivam pressões inflacionárias significativas é que a oferta corra à frente da demanda. Isso só pode ser obtido de forma sustentável com ampliação de investimentos em infra-estrutura e ampliação da capacidade produtiva. Ocorre que um juro elevado, além de ser um convite ao ócio, por premiar as aplicações financeiras, em detrimento da produção, aprecia a taxa de câmbio e desestimula os investimentos. Um outro efeito perverso é sobre o financiamento da dívida pública, cujos títulos em grande parte, por serem pós-fixados, são diretamente influenciados pelas taxas de juros (Selic). Assim, não há superávit primário suficiente para contrabalançar o peso dos encargos financeiros. Mesmo superávits fiscais primários superiores a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) não evitam a ocorrência de déficits nominais, na medida em que a carga de juros supera o esforço fiscal. O financiamento da dívida pública brasileira tem custado R$ 160 bilhões (6% do PIB) a cada ano. São recursos públicos preciosos, transferidos diretamente ao setor financeiro e aos credores da dívida pública, que somos todos nós que aplicamos no mercado financeiro. Esse evidentemente não é um processo neutro, na medida em que determina ganhadores e perdedores no jogo. Portanto, a questão dos juros é determinante para o futuro do País. A explicação convencional é que os gastos do governo têm crescido demais, o que é verdade. No entanto, o verdadeiro desafio brasileiro no que se refere ao Estado e gasto público, não é de ordem quantitativa, mas também, e principalmente, qualitativa. É preciso evitar sim os desperdícios, mas também gastar melhor e ampliar o investimento público, melhorar a prestação de serviços em áreas tradicionais (saúde, educação básica, saneamento, etc.) e aprimorar a atuação em áreas novas, como regulação, fiscalização, coordenação, enfim em tudo que se exige de um Estado moderno. Trata-se, sobretudo, de um desafio de gestão. Para isso é mais do que chegada a hora de dar novos passos nas decisões de política macroeconômica. É preciso um novo padrão fiscal, mas também monetário (juros) e cambial. E nenhum desses assuntos deve e pode ser resolvido isoladamente, mas de forma coordenada, o que vai exigir foco e determinação para as mudanças, assim como coragem para fazê-lo. A ousadia estará em mexer em um esquema tático, aparentemente vencedor, mas que já mostra claros sinais de esgotamento, pelo menos para atender aos objetivos de desenvolvimento sustentável de longo prazo. São questões técnicas sofisticadas, mas dependerão, fundamentalmente, de decisões políticas. O quadro está dado e as soluções necessárias são urgentes. A pressão inflacionária de curto prazo, a contínua apreciação cambial e a perigosa inversão de resultados das contas externas são facetas de um mesmo problema a ser atacado já. Teremos a lucidez de fazê-lo em tempo hábil, ou permaneceremos reféns da armadilha dos juros? kicker: Juro alto, por período longo, costuma provocar efeito contrário ao desejado.
Fonte: Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 3 - ANTÔNIO CORRÊA DE LACERDA - Professor-doutor do Departamento de Economia da PUC-SP.
MEIO AMBIENTE: Momento crítico
São José dos Campos (SP), 5 de Junho de 2008 - As mudanças globais causada pelas alterações climáticas podem comprometer definitivamente o crescimento econômico do Brasil. Essa afirmação é um lugar-comum no meio científico. As conseqüências deste processo são oriundas de ações internas, como o avanço no desmatamento amazônico e da Mata Atlântica, ou externas originárias dos efeitos antrópicos sobre o meio ambiente, principalmente gerado nos países desenvolvidos. As últimas semanas revelaram a extensão da crise ambiental brasileira em números e no cenário político. A ex-ministra Marina Silva demitiu-se do cargo após se sentir desprestigiada pelo governo federal e pressionada por autoridades dos estados líderes no desmatamento do complexo amazônico. Enquanto isto, lideranças internacionais fazem novamente coro para a internacionalização da Amazônia. Os dados científicos mostram que a situação está longe de ser controlada.O sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), denominado Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), revelou que 1.123 km da Floresta Amazônica veio abaixo em abril deste ano. Assustadores 794 km correspondem somente ao Mato Grosso. Aproximadamente 17% da floresta desapareceu, cedendo lugar a pastos e áreas de cultivo da monocultura. Outro baque na combalida imagem do preservacionismo brasileiro. A Fundação SOS Mata Atlântica e o Inpe divulgaram a conclusão dos levantamentos do "Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica". Os dados mostram que o bioma que manteve fértil o solo por milhares de anos em praticamente todo sudeste, nordeste e sul do território está reduzido a 7,26% de sua área original. Ou seja, 97,5 mil km. Na faixa antes ocupada por essa floresta, que chegou a ter de 1,3 milhão de km ao longo de 17 estados brasileiros, se concentra a maior parte da população brasileira. Na mesma latitude se encontram grandes desertos, como o da Namíbia e do Kalahari, ambos situados na África, que estão em constante expansão. Vários cientistas relacionam esse aspecto do continente vizinho a um possível colapso da faixa litorânea no Brasil sem a interferência da Mata Atlântica no ciclo das chuvas e na preservação do solo. Ano crítico Para um dos mais importantes cientistas do País junto ao Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), Carlos Nobre, o Brasil vive este ano mais um de seus momentos críticos ambientais e de perspectivas para o desenvolvimento sustentável. Isto foi confirmado pelo cientista do Conselho de Pesquisa de Ambiente Natural da Grã-Bretanha, Peter Cox, em suas simulações climáticas sob efeito do aquecimento global. Ele pode constatar que na segunda metade deste século a floresta começou a desaparecer, dando lugar a um deserto do tamanho da Península Arábica. Um desastre inimaginável, inclusive pela liberação maciça de gases de efeito estufa na atmosfera – toda Amazônia representaria 15 anos de dióxido de carbono de origem fóssil produzido em todo mundo. E essa representação não incluiu o desflorestamento feito pelos humanos. Após três anos consecutivos de reduções da área total desmatada na Amazônia brasileira, a tendência foi interrompida. As taxas de remoção e degradação da maior floresta tropical do planeta voltou a crescer a partir do segundo semestre de 2007. "O aumento do desmatamento significa crescimento das emissões de gases de efeito estufa, tornando ainda mais difícil atingir os objetivos da convenção sobre Mudanças Climáticas e sobre estabilizar as concentrações sem níveis não perigosos", conclui Nobre, pesquisador do Inpe. Além disto, o Brasil tem que cobrar em muito as outras nações para reduzir suas taxas de emissões. Um dos perigos externos é a formação do El Niño permanente ou edições com mega El Niño, que passaram a ser mais freqüentes e fortes em meados dos anos 80. Neste caso, o Nordeste seria castigado por secas avassaladoras e o Sul por tempestades cataclísmicas. Além dos prejuízos incalculáveis, a anomalia climática nestas condições colaborará decisivamente para secar, literalmente, todo complexo hídrico amazônico - a maior reserva de água doce corrente continental do mundo. E por fim, lançar baforadas gigantescas de ar quente e seco sobre a porção oriental da floresta, impedir a formação de chuvas, e extinguir os ricos ecossistemas em monstruosos incêndios. Em menos de 50 anos o local da floresta seria um imenso gramado, pronto para se tornar um deserto.
Fonte: Gazeta Mercantil (Relatorio - Pág. 1 - Júlio Ottoboni)
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Alta do juro pode afetar ação ligada ao consumo
SÃO PAULO, 4 de junho de 2008 - Na expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) eleve hoje a taxa básica de juros (Selic), o mercado acredita que as ações ligadas ao consumo - que dependem de crédito - deverão repercutir o movimento no curto prazo. No entanto, no médio e longo prazos, os fundamentos sólidos das companhias devem prevalecer e a possível queda dos papéis deverá ser neutralizada. Marianna Waltz, gerente da área de research do Banco do Brasil Banco de Investimento (BBBI), acredita que uma alta de 0,5 ponto percentual (p.p) deve causar um impacto negativo nas ações de empresas ligadas ao setor de consumo e ainda ressalta que, em um primeiro momento, esses papéis não serão a melhor opção de investimento. Por outro lado, em um horizonte de longo prazo, a executiva acredita que os fundamentos das companhias não serão afetados. "Primeiramente, porque há uma tendência futura de retomada de quedas nos juros e também porque o consumidor observa se a parcela cabe no bolso; não se houve um aumento na taxa básica de juros. Vejo que se a loja continuar estendendo o prazo de parcelamento, e isto não afetar a parcela efetivamente paga mensalmente pelo consumidor, ela nada sofrerá e seus fundamentos não serão afetados", diz Marianna. Peter Ping Ho, analista de investimentos da Planner Corretora de Valores concorda. "Para o consumidor, a alta da taxa de juros causaria um rearranjo no orçamento familiar. No entanto, considerando que o acréscimo nas parcelas seria de centavos, o contexto não seria alterado". "De qualquer forma, no curto prazo, os papéis devem sofrer impacto negativo. Mas, no médio e longo prazos, os fundamentos das companhias serão mantidos e uma possível queda seria neutralizada", completa. O analista lembra que embora a entidade monetária já tenha promovido um corte de 0,5 p.p. na Selic, os papéis não repercutiram o movimento em função da elevação do Brasil a grau de investimento, no dia 30 de abril. "Na ocasião, o mercado ainda estava eufórico com o grau de investimento brasileiro". Já uma alta maior do que a projetada pelo mercado, de 0,75 p.p, de acordo com a gerente da área de research do BBBI, trará um impacto maior na bolsa como um todo, não só para as empresas de ações de consumo de maior evidência, como Lojas Americanas, Renner, Hering, Natura e Grandene. (Vanessa Correia - InvestNews)
Fonte: Gazeta Mercantil
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