sexta-feira, 18 de novembro de 2011

As frases de Ciro Gomes na entrevista à Folha e ao UOL

A seguir, frases de Ciro Gomes ao programa "Poder e Política - entrevista" de ontem (17.nov.2011).

Dilma

“Olha, eu acho que ela está indo razoavelmente bem”.

“Mas o que ela está revelando, que é importante, é que ela não tem compromisso com o erro”.

“Ela tem uma crise anunciada pela frente. (...) A proporção dependerá de dois fatos muito relevantes. Um: o nível de crise econômica, o nível de centralidade que a questão econômica causará no meio social brasileiro. O outro é o comportamento do PT nas eleições municipais”.

Ideli

“Falta alguém capaz de separar o joio do trigo, estabelecer parcerias (...) a encarregada seria a Ideli, pessoalmente. E a Ideli, a mim me parece, ela não tem a vivência”

Lula

“O PT tem uma vocação que é da cabeça do Lula: o PT acha que só deveria ter um partido de esquerda no Brasil. E esse mesmo seria o PT. E um partido de centro-direita, o PSDB, para que o jogo todo seja decidido na avenida Paulista ou na suas vizinhanças”.

"Será que é disso que o Brasil precisa? Oito [anos de mandato] de Lula com quatro [anos] de Dilma para mais oito [anos] de Lula? Isso empobrece o Brasil. É grave para o país".

PSB

“O PSB subalternizou-se. Nós estamos com muito pouca coerência. Nós estamos participando do governo da Dilma”.

Eduardo Campos

“Hoje o mais forte ainda sou eu. Mas ele tem potencial para superar tranquilamente. Por uma circunstância, não é falta de modéstia. É estrada. Estrada nacional.”

Aécio Neves

“O Aécio tem, na minha opinião, dois problemas (...) Um problema é ler pouco. Ele precisava compreender as coisas do país e formular. (...) O outro problema é de aliança”.

Oposição

"Tem duas oposições hoje. Uma oposição é o PSDB. A oposição PSDB não pode dizer nada porque na hora que diz qualquer coisa a turma já diz: Mas vocês estavam lá fazendo a mesma coisa. (...) E a outra oposição é o PT “revival”, que é o PSOL. Só consegue entender duas coisas: corporativismo e moralismo”.

PSDB

“Alckmin se acerta por elevação do nível de endividamento de São Paulo com a Dilma. Serra está descartado. O Aécio é um cordial”.

“Nenhum paulista, nesta conjuntura, conseguiria ser presidente da República”.

PC do B e PDT

“PT quer o PC do B como um satélite subalterno. Quer o PDT como um satélite subalterno. Já liquidou os dois, como ‘persona política’, estão liquidados os dois. E nós [do PSB] seremos os próximos”.

Ministros que caíram e apetite do PT

“O PT ensaiou a apropriar-se do Ministério dos Esportes. E o PC do B anotou isso. O PT se apresta a abocanhar o Ministério do Trabalho. E o PDT está vendo isso. O PMDB já faz tempo que percebeu essa... “

PT

“O PT virou isso, essa coisa de fisiologia. Sabe, são seis mil caras com cartão corporativo, com carrão bonito para passear para cá e para lá. E novos ricos, deslumbramento... É uma coisa chocante para mim”.

“O tamanho da goela do PT não tem limite.”

Justiça

“Outro dia eu denunciei esse Eduardo Cunha. Pelo amor de Deus. (...) Esse cara simplesmente elencou como testemunha de defesa dele num processo por dano moral o vice-presidente da República, Michel Temer.”

“O Tribunal de Justiça de São Paulo, contra disposição explícita da lei, resolveu reabilitar um processo que estava caduco, prescrito pela lei, em que o Collor, a quem eu critiquei há 12 anos atrás, me processa por dano moral. E aí devolve para um juiz singular que me condena a R$ 100 mil. Cansa, né?”

Candidato a presidente da República

“Eu não quero mais ser candidato a nada e admito ser candidato a presidente da República.”

PT e PMDB

"Porque a coalizão PT e PMDB resolveu assentar-se numa meritocracia às avessas. Quanto mais picareta e mais analfabeto, mais prestígio".

Câmara

"513 deputados. Se cada um falar um minuto, isso vai durar nove horas. Então não é possível. Não funciona".

"Os líderes de bancada, salvo exceções, não são líderes de coisa nenhuma. São gente boa, medíocre, que vai jogar baralho na casa do outro, joga futebol com o outro, bebe cachaça com outro, faz favores pro outro etc. E a Mesa é negociada com tratativas que fariam corar um frade de pedra".

"A agenda nacional não tem consideração porque o Congresso Nacional, salvo exceções, é uma grande câmara de vereadores, de paróquias que estão ali reunidos potencializando força para rachar um pouquinho de dinheiro. E tem a turma da quadrilha mesmo. Do assalto, do lobby".

PSD

"Ilusão de ótica".

“O PSD é o DEM. Sendo o DEM, é aliado do Serra”.

“Esse é um partido que nasceu, enfim, para dar outro nome a um DEM que cansou. Com todo o respeito”.

Juros

"Uma infração fundamental aconteceu no Brasil. Foi o Banco Central depois de duas... Você tem aqueles “pizinho” que bota na televisão? Depois de duas “c” graves, a crise já dada, o Banco Central brasileiro viu uma ilusão de ótica de uma inflação e aumentou a taxa de juros duas vezes".

Fumo

"Parei de fumar. (...) De vez em quando fumo um narguilé. Faz mal também, mas não dá para carregar no bolso, então eu fumo uma vez por semana".

Por Fernando Rodrigues

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Vamos criar o Dia Nacional da Honestidade?

Um senador propôs --e foi levado a sério-- o Dia Nacional da Corrupção, depois da absolvição da deputada Jaqueline Roriz. É uma proposta tão séria como propor o Dia Nacional da Honestidade.

Vou aqui fazer um papel incômodo. Parte do problema da corrupção não é dos políticos. Mas é nossa --se não partimos desse pressuposto, a bandalheira não vai sair do lugar.

Somos nós que elegemos os políticos sem estudar sua biografia. Somos nós que elegemos as pessoas, não acompanhamos o que fazem e nem nos manifestamos diante dos erros. Somos nós que, rapidamente, passada a eleição, esquecemos em quem votamos (e, para isso, basta ver as pesquisas do Datafolha sobre a lembrança do eleitor).

Somos nós que damos muito mais atenção às celebridades, com suas futilidades, do que a causas públicas.

Somos nós que, no cotidiano, somos tolerantes com as pequenas infrações como parar na faixa do motorista, dirigir alcoolizado, jogar lixo na rua. Ou ver alguém jogando lixo e não fazer nada. Somos nós que tratamos a coisa pública como se fosse de alguém desconhecido. Somos nós que não queremos fazer a diferença no que está do lado, esperando que alguém faça por nós.

Somos nós que não colocamos a educação em primeiro lugar na agenda brasileira.

Por que os políticos seriam tão melhores do que nós?


Por Gilberto Dimenstein

sábado, 20 de agosto de 2011

Ethos quer compromisso por sustentabilidade de candidatos a prefeito

Meio Ambiente

Vinicius Konchinski
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – O Instituto Ethos lançou ontem (19), junto com outras organizações da sociedade civil, o programa Cidades Sustentáveis. A iniciativa visa à divulgação de ações de sustentabilidade e fazer com que os políticos que disputarão as prefeituras do país nas próximas eleições assumam o compromisso de colocar em prática o programa.

As entidade elaboraram uma cartilha que contém metas de sustentabilidade em 12 eixos. São cerca de cem objetivos gerais e mais de 300 específicos, todos estabelecidos conjuntamente pelo Ethos, a Rede Nossa São Paulo e a Rede Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis.

A mobilidade, por exemplo, é um dos eixos da cartilha. Nesse quesito, um dos objetivos gerais é aumentar o uso de transporte público nas cidades. Já um dos objetivos específicos é ampliar a quantidade de corredores para tráfego exclusivo de ônibus.

Para medir a adesão das ações propostas, o Cidades Sustentáveis também criou indicadores. No caso da mobilidade e dos corredores de ônibus, mais especificamente, a iniciativa quer medir quantos quilômetros de vias exclusivas ao transporte público existem nas cidades e comparar a quantidade com a de outros municípios considerados exemplos.

Contudo, para que tudo isso seja feito, as organizações precisam que as cidades adotem o programa. Por isso, elas vão lançar uma campanha publicitária para incentivar que candidatos a prefeito em 2012 assumam o compromisso de seguir as diretrizes do Cidades Sustentáveis.

“Estamos propondo aos candidatos que adotem o programa, se comprometam com os objetivos e prestem conta à população”, disse o coordenador da Secretaria Executiva da Rede Nossa São Paulo, Maurício Broinizi, durante a cerimônia de lançamento do programa, na capital paulista.

O presidente do Instituto Ethos, Jorge Abrahão, admite que convencer os candidatos a aderirem ao programa será um desafio. Mas entende que os próprios políticos podem se beneficiar com o Cidades Sustentáveis. “Os bons políticos entenderão o programa como um presente, pois ele é um importante guia de boas práticas”.

Edição: Aécio Amado

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

ANÁLISE-Previsão de Selic menor em 2011 ganha corpo no mercado

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A atual turbulência internacional pode forçar o Brasil a reduzir os juros já neste ano, avaliam alguns economistas, contrariando a opinião ainda majoritária de que o Banco Central apenas interromperá o ciclo de aperto monetário e manterá a Selic em 12,50 por cento.

Com a perspectiva de que o menor crescimento global reduzirá a atividade econômica no Brasil, a corretora Raymond James alterou sua previsão para a taxa básica de juros, estimando um corte de 0,25 ponto percentual em novembro. A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2011 foi reduzida de 4 para 3,6 por cento.

'Isso implica uma desaceleração razoável no segundo semestre. O BC vai perceber que, se não fizer algo, isso vai se propagar mais à frente', disse o economista-chefe para América Latina da Raymond James, Mauricio Rosal.

À Reuters, o economista minimizou novos dados que ainda mostram desempenho robusto das vendas no varejo, com expansão de 0,2 por cento em junho sobre maio, divulgados nesta quinta-feira.

'Olhar para junho é olhar para o retrovisor. Está havendo uma quebra de cenário', afirmou.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC tem sua próxima reunião nos dias 30 e 31 deste mês, quando novamente definirá o rumo da Selic. Até o fim do ano, serão mais dois encontros: em outubro e em novembro.

O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, já considera 'provável' que o BC inicie um processo de redução dos juros neste ano. 'Eu acho que dificilmente fecha o ano a 12,50 por cento. Mas o ritmo disso é muito complicado de antever', ponderou.

A perspectiva de uma redução dos juros ainda neste ano não é majoritária. De acordo com o boletim Focus, feito pelo BC, a mediana das previsões de economistas é de que a Selic terminará o ano sem alterações, depois de ser elevada de 10,75 por cento para o atual patamar entre janeiro e julho.

O mercado de juros futuros, de acordo com o economista da Coinvalores Corretora, Paulo Celso Nepomuceno, chegou a precificar no pior momento de quarta-feira a estimativa de três reduções da Selic a partir de novembro deste ano. Mas os contratos na BM&FBovespa eram distorcidos pela intensa volatilidade no exterior, alertam operadores.

IGUAL A 2008?

Na última grave crise financeira, que estourou com o colapso do banco de investimento norte-americano Lehman Brothers em setembro de 2008, o BC foi criticado por ter começado a reduzir os juros apenas no início do ano seguinte.

A diferença agora, argumentam os defensores da manutenção de juros neste ano, é que essa crise não é igual a 2008.

'Apesar de existirem bons argumentos para cortar juros, acho que o mercado está um pouco desesperado demais com essa questão da crise', disse o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.

'Tem uma crise séria em andamento, mas a gente ainda não tem um processo de recessão ou de desaceleração econômica forte no Brasil', completou, acrescentando que prevê um ciclo de afrouxamento monetário só no segundo trimestre de 2012.

Um ponto importante na opinião dos analistas é a convergência da inflação para o centro da meta, algo que o BC ainda busca para o ano que vem. De acordo com economistas, a piora do cenário internacional não garante por si só que o objetivo será cumprido em 2012.

A previsão do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2012 é de 5,27 por cento, acima da meta de 4,5 por cento, segundo o último boletim Focus. Os mesmos economistas estimam crescimento de 3,94 por cento do Brasil em 2011 e 4 por cento no ano seguinte.

GASTOS SOB CONTROLE

Na opinião dos economistas Ilan Goldfain, Aurélio Bicalho e Luiz Cherman, do Itaú Unibanco, até existe a chance de uma redução dos juros em 2011, mas somente em um cenário mais pessimista, que implique em um período mais extenso de turbulência no mercado financeiro internacional. Nesse caso, o crescimento global seria de 2,6 por cento em 2012, e não de 3,7 por cento como o previsto atualmente pelo banco.

'A dinâmica dos mercados nos últimos dias elevou a chance de cenários mais adversos para o crescimento econômico nos próximos meses. No entanto, ainda avaliamos o nosso cenário básico (manutenção da Selic) como o mais provável.'

O mercado, ainda assim, está atento a sinais do governo sobre a política monetária. Mensagens como o pedido do ministro da Fazenda, Guido Mantega, aos partidos aliados para que não aprovem novos gastos foram interpretados como um indício de que o governo não está disposto a abrir mão do ajuste fiscal, o que na prática abriria espaço para juros menores.

O governo reduziu os gastos previstos no Orçamento em cerca de 50 bilhões de reais neste ano. No primeiro semestre, o superávit primário foi de 78,2 bilhões de reais.

'Temos a percepção de que o governo pode estar construindo um argumento para reduzir os juros mais agressivamente', opinou o tesoureiro de um grande banco de investimento norte-americano em comentário feito a apenas clientes, semelhante aos economistas do Itaú:

'Manter a austeridade fiscal, nesse contexto, contribuiria para tornar mais sólida a redução dos juros.'

(Reportagem adicional de Luciana Lopez e José de Castro)

Dilma se diz 'preocupada e atenta' com crise econômica global

BRASÍLIA (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira estar 'muito preocupada e atenta' com a atual crise econômica global.

'Eu estou muito preocupada e atenta. O governo federal inteiro está atento a esta crise internacional que a gente tem visto', disse Dilma durante entrevista a emissoras de rádio em Fortaleza.

A presidente justificou sua preocupação com a forte turbulência registrada nos últimos dias nas bolsas em todo o mundo, a fragilidade apontada em bancos europeus e a discussão no Congresso dos Estados Unidos para elevação do teto da dívida do país.

'Você tem hoje uma turbulência no mundo parecida com aquela que ocorreu em 2008 e 2009, e que tem a raiz lá trás, que é o fato dos bancos terem sido completamente desregulamentados', avaliou Dilma.

No início dos negócios desta quinta-feira, as bolsas norte-americanas e brasileira apresentavam altas expressivas, escoradas em dados melhores que esperados sobre o mercado de trabalho nos EUA, após uma semana de forte volatilidade.

Nos últimos dias, diante da piora nas perspectivas de recuperação da economia internacional, e com o rebaixamento da nota de crédito dos EUA pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, Dilma e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, têm repetidamente afirmado atenção com a crise, e que o país está preparado para enfrentá-la.

Em seus mais recentes discursos, a presidente têm destacado as reservas internacionais brasileiras e os depósitos compulsórios dos bancos como armas que o governo têm para amenizar os efeitos da crise no país.

(Por Hugo Bachega)